
Hoje eu quero fazer uma reflexão que não passa pela psicanálise e nem pela fé.
Quero falar apenas da realidade.
Da vida como ela é quando a gente tira o filtro, baixa o volume da torcida e observa com um pouco mais de honestidade.
Se você também gosta de olhar para as coisas além da superfície, fica comigo até o final.
Nos últimos tempos, vimos um caso que diz muito sobre o nosso tempo.
Uma influenciadora construiu fama, audiência e dinheiro defendendo durante anos uma narrativa que romantizava a obesidade.
Quem discordava era acusado de preconceito.
Quem questionava era atacado.
Quem trazia o tema da saúde era tratado como inimigo.
A mensagem era simples, sedutora e absoluta:
Está tudo bem assim.
E durante um tempo, isso funcionou.
Funcionou emocionalmente.
Funcionou socialmente.
Funcionou financeiramente.
Mas então o mercado mudou.
E quando o mercado muda, muita coisa muda junto.
A mesma pessoa que sustentava aquele discurso fez uma cirurgia bariátrica e passou a lucrar em outra direção.
E aqui eu quero ser justa:
Não existe problema algum em mudar de ideia.
Não existe problema em buscar saúde.
Não existe problema em operar.
O problema não está na mudança.
O problema está no rastro deixado por um discurso vendido como verdade definitiva.
Quando a narrativa muda, alguém paga a conta
Quem influenciava mudou.
Quem seguia ficou.
Ficou com o corpo.
Ficou com os hábitos.
Ficou com os problemas de saúde.
Ficou com o tempo investido acreditando em algo que agora já não serve nem para quem vendeu.
Essa é a parte que quase ninguém fala.
Narrativas mudam rápido.
Consequências, não.
O influenciador troca de posicionamento.
Troca de nicho.
Troca de linguagem.
Troca de público.
Mas quem acreditou precisa lidar com o que ficou depois que a trend passou.
Leitura recomendada
Dez Argumentos para Você Deletar Agora Suas Redes Sociais — Jaron Lanier O autor explica como as plataformas são desenhadas para amplificar reações emocionais e narrativas lucrativas, muitas vezes em detrimento da verdade e da saúde dos usuários. Uma leitura essencial para entender o “jogo” por trás da tela. Ver preço aqui
O lucro por trás de quase toda certeza
Antes de comprar qualquer discurso pronto, vale fazer algumas perguntas simples:
Como essa pessoa ganha dinheiro?
O que ela lucra defendendo isso hoje?
Se a fonte de renda mudar, o discurso muda junto?
Essas perguntas incomodam porque rompem o encanto.
Mas amadurecer é justamente isso:
Parar de consumir ideias como quem consome propaganda.
Questionar não é ódio.
Questionar não é inveja.
Questionar não é preconceito.
Questionar é autoproteção.
A responsabilidade de pensar por si mesma
Existe um custo alto em terceirizar o pensamento.
Quando alguém decide por você o que é saudável, o que é belo, o que é verdade ou o que deve ser normalizado, você entrega algo precioso:
Seu senso crítico.
E sem senso crítico, qualquer narrativa convincente parece sabedoria.
No tempo das redes, pensar por si mesma virou um ato raro.
Talvez por isso tenha se tornado tão valioso.
Nem todo empoderamento liberta
Alguns discursos chegam vestidos de liberdade, autoestima e aceitação.
E podem até carregar partes legítimas.
Mas quando impedem questionamento, recusam realidade e lucram com confusão, deixam de libertar.
Passam a capturar.
Nem toda mensagem bonita é honesta.
Nem toda bandeira é limpa.
Nem toda causa é sobre a causa.
Às vezes, é só negócio.
Leitura recomendada
A Banalidade do Mal — Hannah Arendt Embora trate de contextos históricos extremos, a obra de Arendt nos faz refletir sobre como podemos ser levados a aceitar e reproduzir comportamentos perigosos simplesmente porque eles se tornaram a “norma” do grupo ou a narrativa vigente. Ver preço aqui
O problema nunca foi alguém mudar.
Mudar pode ser sinal de lucidez.
O problema é vender certeza para milhões e depois sair silenciosamente pela porta dos fundos quando ela deixa de dar lucro.
Por isso, talvez uma das maiores formas de liberdade hoje seja essa:
Pensar antes de aderir.
Questionar antes de defender.
E nunca entregar sua consciência para alguém só porque fala bonito diante de uma câmera.
Você já se decepcionou ao ver alguém mudar completamente o discurso depois de ganhar dinheiro com a narrativa oposta? Como você filtra o que consome nas redes hoje? Me conta nos comentários. Quero ler você.